Desejo
O desejo rói minhas entranhas. Aqueles gafanhotos - essas pragas - sufocam meu Amor, mastigando cada ternura que dele sai. As palavras escapam feito moscas e revoam a carne morta da Tristeza. Essa entende cada agonia, cada desespero de viver.
Às vezes, são tantos os gafanhotos a se alimentar do meu amor que os vomito como Rancor. Cheio de cicatrizes, fedido e amorfo. Ali, revirando-se na pocilga, rapidamente, o engulo. -Sim, pois dele nascerá o Ódio que destruirá todas as pragas, tamanha sua violência. Nele me certifico de meus desejos.
