sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Desejo

O desejo rói minhas entranhas. Aqueles gafanhotos - essas pragas - sufocam meu Amor, mastigando cada ternura que dele sai. As palavras escapam feito moscas e revoam a carne morta da Tristeza. Essa entende cada agonia, cada desespero de viver.
Às vezes, são tantos os gafanhotos a se alimentar do meu amor que os vomito como Rancor. Cheio de cicatrizes, fedido e amorfo. Ali, revirando-se na pocilga, rapidamente, o engulo. -Sim, pois dele nascerá o Ódio que destruirá todas as pragas, tamanha sua violência. Nele me certifico de meus desejos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Enterrado


As ripas de madeira cercam meu túmulo. Os vermes formam um câncer, enquanto devoram minha carne, mexendo e remexendo meus órgãos podres. Os ratos me visitam, fazendo cócegas em meus dedos sujos de terra, encontrando de baixo das unhas, carne fresca. Minha boca vomita podridão, soltando miasmas. O pouco que resta são meus olhos dilatados, que assistem imóveis meu corpo dilacerado virar adubo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Desespero

Não detenho nada que não pode ser tocado. Infelizmente, minha vida não passou de algo fútil.- Sentimentos - os tenho sim, escritos em papéis picotados pelo quarto, nada além disso. Não consigo segurar algo tão efêmero, no entanto nem o desejo de comprar satisfaz meu ego.
Então, passei à assistir: o amor, o ódio, a tristeza... Despertei o amor em alguém; cortei-me em pouco e vislumbrei o sangue escorrer pelo ralo; vi pela janela as horas passarem.
- Parece insano?
"Deus, eu sou seu filho. Sete dias não é o bastante. Vinte quatro horas também não. Um ano muito menos. Quero viver de trás para frente."

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Perturbador

O que há de errado em sentir ódio, inveja, ciúmes? Não são todos sentimentos humanos. A humanidade está para os impulsos que a domina e, que escraviza a alma. Perder-se em labirintos de desejos.
Não há sonho. O som do violino calmo agora se tornou afiado como farpas, que cortam e multilam. Nada de conforto com a melodia do mar...
Não quero sentir paz, mas sim o caos. Pois, só assim me sinto mais humano. Reservo a paz, para os momentos de desperdício.
Ódio.
Angústia.
Frustração.
Insegurança.
Sentimentos de uma mente perturbada?
Não, sentimentos de uma mente humana.