sexta-feira, 18 de março de 2011

O enforcado

O corpo balançava ao ritmo do vento. Os pés roçavam de leve no tapete, às vezes, esbarrava num copo e derramava um último gole. Os dedos pareciam desenhar linhas, círculos. Alguma pintura abstrata tomava forma. Durava apenas um instante, o calor logo evaporava aquela tinta singular. Apenas o cheiro indicaria a forma. O quadro tinha vontade de existir, procurando outro meio de expressar, encontrou o sangue. Gotículas pingavam da língua mordida, escorriam pelo corpo em linhas trêmulas. Escreviam no tapete, no chão - algo belo - difícil de reproduzir: uma carta de suicídio.


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